VALORANT: O sexto jogador na visão dos técnicos

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Habitual em alguns jogos e recente em outros, a prática de um elenco com substituições no esports é um tema de debate. Ainda não reunindo consenso, o recurso a tal estratégia começa a ser implementando em cada vez mais jogos e equipes de alto nível de competição.

Lançado oficialmente no início de junho do passado ano, VALORANT começa a dar os seus primeiros passos neste sistema. Com algumas semelhanças em mecânicas nas armas dentro do jogo, o FPS da Riot desde cedo recebeu comparações com CS:GO.

Ultimamente, várias equipes de Counter-Strike aderiram à tendência das substituições. Nacionalmente, ainda nenhum elenco recorreu ao sexto jogador, mas internacionalmente, organizações como Vitality, Astralis e Na’Vi já aderiram ao formato.

Em VALORANT, nenhuma equipe ainda recorreu para esta opção. No entanto, fomos atrás de saber a opinião de dois técnicos sobre o tema para VALORANT. Rodrigo “Gatti” Gatti e Felipe “katraka” Carvajal, técnicos da Vorax Fusion e Gamelanders, respetivamente, foram os nossos convidados.

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Campeã do First Strike, Gamelanders apresenta um staff alargado (Foto: Riot Games)

O técnico da equipe brasileira campeã do First Strike ressalta as diferenças entre o VALORANT e Counter-Strike. Pelo lado positivo, Felipe “katraka” Carvajal destaca a vantagem de poder ter jogadores apenas focados num único agente. No lado negativo, o coach da Gamelanders fala dos buffs e nerfs, melhoria e pioria de tal agente, arma ou habilidade, respetivamente.

Katraka apresenta, num exemplo prático, que em caso de jogadores que se focam mais em agentes como a Killjoy e Cypher, agentes que se substituem, se a Riot melhorar ou piorar um deles vai estar também a prejudicar ou beneficiar um atleta, ressaltando o quanto arriscado é.

O coach da Vorax Fusion diz que a ideia do sexto jogador é “interessante teoricamente”. No entanto, o técnico aponta problemas como o de manter o jogador motivado e o quanto isso pode afetar o atleta na hora de entrar no servidor.

Gatti acrescenta ainda outro problema: “Vale ressaltar também que os “titulares” devem continuar proativos e comprometidos ao time, já vi situações onde pelo fato de haver um reserva, os jogadores começam a atrasar para os treinos, pois haveria alguém para substituí-los”.

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katraka apresenta algum ceticismo quanto ao sexto jogador (Foto: Riot Games)

O técnico da Vorax Fusion apresenta ainda o exemplo de outra modalidade para apresentar a viabilidade da tendência: “No Overwatch, por exemplo, tivemos o caso da San Francisco Shock que tinha 12 atletas no elenco, então os 6 titulares treinavam um meta de heróis enquanto os demais treinavam outro meta se antecipando as alterações do meta.

Rodrigo “Gatti” Gatti sobre ser uma solução a curto prazo responde negativamente, alegando que a mecânica dos agentes no VALORANT “não é algo difícil comparado a outros jogos, então é da obrigação dos jogadores conseguirem desempenhar bem com outros heróis e treinar eles para não se tornarem “mono” agentes.”

Felipe “katraka” Carvajal, em termos táticos, destaca que apenas seria vantajoso se a substituição dos jogadores fosse algo imprevisível. O técnico da Gamelanders fala ainda do trabalho que tal estratégia implica, necessitando de vários treinos e de várias táticas diferentes.

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katraka destaca o quão trabalhoso seria o processo (Foto: Riot Games)

Sobre o assunto, o técnico da Vorax Fusion finaliza dizendo: “Para ser implementado depende do orçamento das organizações também terem a estrutura e planos para adquirirem um sexto jogador. No Brasil hoje acho difícil vermos isso com naturalidade, seria mais na situação de lesões que seria mais bem recebida a ideia no atual momento. Para ocorrer um aumento de elenco uma organização precisa mostrar aptidão de simplesmente não cair na dança das cadeiras e acreditar num projeto, o que é ultimamente difícil de ver no nosso cenário e até mesmo no Europeu.”

Finalizando, Felipe “katraka” Carvajal fala que a adoção do sexto jogador “é ainda uma incógnita muito grande“. No entanto, ressalta que não é contra o sistema, pelo contrário – é aberto a novidades – porém, vê como empecilho todos os fatores citados.

O coach da Gamelanders diz ainda que não arriscaria no momento implementar a estratégia na sua equipe pela dúvida em torno do tema, momento do jogo, por ser muito mais trabalhoso e pela necessidade de muitas coisas dentro do jogo precisarem de ser consolidadas.

Katraka termina apresentando a analogia do Counter-Strike dizendo “o jogo tem 20 anos e tem mapa que não é mexido há anos, uma forma de eles inovarem foi o sexto jogador. No VALORANT ainda tem muita forma de inovar sem precisar fazer essa mudança.”

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