TFT: ReiCasca: “As pessoas querem entender o porquê de ter uma pessoa de 41 anos fazendo stream”

ReiCasca

Os jogos online, normalmente, são direcionados a um público alvo mais jovem, e a presença de jogadores mais velhos acaba sendo mais rara, mas essa presença não é nula. Temos o caso do streamer Alan “ReiCasca“, de 41 anos, que joga Teamfight Tactics e, recentemente, conseguiu colocar quatro das suas contas no elo Mestre no TFT.

O ReiCasca conversou com o Baserush e falou sobre a sua vida pessoal, carreira, streams e muito mais. Leia a entrevista a seguir:

ORIGEM DO NICKNAME

ReiCasca: “Nasci no interior de São Paulo numa cidadezinha chamada Urupês, filho mais novo de 3 irmãos. Meu nick é ReiCasca exatamente porque meu vô, no ano de 1967, veio para essa cidade, fez a primeira sorveteria, e vendia sorvetes de casquinha, aí meu pai ganhou o apelido de casquinha, minha mãe era conhecida como a mulher do casquinha, eu era o filho do casquinha”

PRIMEIRO CONTATO COM VÍDEOGAME

ReiCasca: “Desde pequeno, com uns 5 ou 6 anos, tive contato com meu primeiro videogame, que meu irmão mais velho ganhou. Passei por épocas onde eu tive muitos jogos, desde a minha infância. Meu primeiro videogame foi um Atari. Então passei por Turbo Game, Super Nintendo, jogos de PC, então até chegar no LoL foi um caminho muito largo onde passaram-se muitos jogos. Eu tenho contato com o LoL desde que eu parei de jogar Lord of Rings: The Battle for The Middle Earth, um jogo da EA que eu estive entre os melhores do servidor, e de forma extra-oficial eu tinha boas colocações em “mundiais”.

O jogo era mundial, então meus principais amigos eram croatas e turcos. Quando a EA parou de dar suporte, a gente por um tempo organizava campeonatos através do Clan Wars, ou pelo Game Replays. […] Antes de jogar Lord of Rings, joguei Age of Empires.

Joguei alguns campeonatos, mas nunca tive nenhum retorno financeiro. Quando tinha 15 anos, fui campeão de um campeonato com 256 jogadores. Era internet discada, e naquela época o jogo permitia pausar, salvar e voltar no outro dia. No Lord of Rings, eu posso dizer que se tivesse um competitivo a nível profissional, eu me daria muito bem. Cheguei a ser campeão de vários campeonatos do Clan Wars, com 3 títulos de 3×3 a nível mundial. […] Depois de um tempo, a gente migrou pro LoL, no servidor norte-americano, e quando o LoL começou a abrir servidores ao redor do mundo, cada um foi para o seu lado. Isso foi mais ou menos no fim da segunda temporada do jogo”

INFÂNCIA E HISTÓRIA DE VIDA

ReiCasca: “Passei dos meus 6 aos 18 anos tratando de ser jogador de futebol, passando por divisões de base. Depois desisti, larguei tudo, me formei em Ciência da Computação, fui trabalhar no Chile, fiz um projeto de 2 anos e meio no Uruguai e, por alguns problemas de saúde, retornei ao Brasil, em 2009. Trabalhei na sorveteria; como auxiliar administrativo; com desenvolvimento de T.I. no Banco Santander na América e, em 2012, depois de uma entrevista bem complicada, virei líder de operações do Google Street View no Brasil, por um curto período. Depois, voltei para casa e estou em quarentena desde então “

QUASE VIROU JOGADOR DE FUTEBOL

ReiCasca: “O primeiro time que eu tentei entrar foi o Grêmio Esportivo Novorizontino, em uma cidade (Novo Horizonte) a 70km da minha. Eu sou de 1979, mas como eu era mais alto do que as pessoas da minha idade, fiz um teste com pessoas de 76 e 77 e passei no teste. Isso foi em setembro, e em novembro eu já tinha um lugar para ficar. Mas, no dia seguinte, quebrei a perna. Me recuperei, treinei no América de Rio Preto, fui para Londrina, jogar no PSTC (clube de onde saiu Fernandinho, que jogou Copa do Mundo), e depois joguei num centro de divisão de base do São Paulo. Prestei vestibular, passei na Universidade Estadual de Maringá, em educação física.

Optei por fazer faculdade em Maringá porque meu irmão mais velho já estudava lá. Fui jogar os Jogos Universitários dos Calouros (JUCA), e quando acabei esse campeonato um cara me chamou para jogar futsal por um time local, o Serra. Eu já tinha desistido do futebol, mas com isso entrei para o Futsal. Isso foi por volta do ano de 98.”

EXPERIÊNCIAS QUE AJUDAM NA STREAM

ReiCasca: “Eu acho que quanto mais tempo a gente vive, mais assuntos a gente pode ter e mais atalhos a gente pode criar na live. Com o fato de eu ter morado no Chile, eu aprendi a conviver, aprendi a entender quem pensa diferente, já que as culturas são diferentes. Então eu consigo entreter o chat de maneira mais eficiente. E algumas coisas que eu aprendi lá, como o espanhol, eu tenho um personagem que de repente se veste de mexicano, deixa o bigode grande, põe um chapéu mexicano e começa a falar espanhol. Mas o pessoal gosta da história, querem entender o porquê de ter uma pessoa de 41 anos fazendo stream.”

PESSOAL DO TFT ABRAÇOU O REICASCA

ReiCasca: “Pouquíssimas vezes alguém vem me dar hate, mais quando eu tô no LoL, após jogar mal ou perder uma partida. Mas o pessoal do TFT me abraçou bem rápido, pessoas mais influentes no cenário, me ajudaram com ganks, de até 10 dias seguidos, e com isso alavancou bastante a minha stream”

(ReiCasca junto de sua mãe)

JOVIRONE, COMPETITIVO FEMININO, ENFISEMA PULMONAR E STREAMS

ReiCasca: “Há mais ou menos 5 anos, o Jovirone veio, configurou o OBS junto comigo, e como ele tinha bastante upload, começou a fazer streams. Eu, como não tinha upload, não tinha fibra ótica (só consegui fibra ótica no começo desse ano, por isso comecei a fazer streams), deixei o OBS configurado.

Estava dando coach para times femininos de LoL, muitas delas foram para o competitivo feminino, algumas na Keyd, outras na INTZ, e eu comecei a usar a Twitch e o OBS para abrir o mapa de Summoner’s Rift pra mostrar táticas e etc, coisas que podem ser feitas hoje em dia no Discord, mas não eram recursos que existiam, então eu usava a Twitch mesmo.

Depois, quando chegou a fibra ótica na minha cidade, eu abri stream, joguei um pouco de LoL, e quando o time que eu estava treinando se dissolveu, eu estava um pouco estressado, e parti pro TFT, lá pro meio da segunda temporada. Eu tenho enfisema pulmonar, mas para explicar isso tenho que voltar um pouco antes: me formei, fui trabalhar no Chile, fui para ficar apenas 2 meses, mas acabei ficando 5 anos por lá, e comecei a ter crises do pânico, falta de ar, que foi o porquê de eu ter voltado ao Brasil em 2009.

Sempre associavam essa minha falta de ar a essas crises de pânico. Só por volta de 2016 eu descobri que essa falta de ar era por causa da enfisema pulmonar, porque meu organismo não produz uma proteína chamada alfa-1 antitripsina, que o pulmão utiliza para expulsar o gás carbônico. Foram anos muitos duros (2009-2016) até eu descobrir a enfisema, porque é muito doloroso quando a gente tem falta de ar atribuída a algo, mas não melhora. Quando eu descobri a enfisema, foi um alívio, pois eu finalmente descobri qual era o motivo, agora era só pegar e enfrentar.

Basicamente de 2009 pra cá eu trabalhei muito pouco, então podemos dizer que eu estou em quarentena há quase uma década – brinca Casca – quando chegou a fibra ótica, comecei a fazer stream, aos poucos começou a dar certo e depois de muito tempo sem poder de dar renda, mesmo sendo uma stream humilde, estamos próximos de conseguir o contrato premium da Twitch e as coisas melhorarem

MOTIVAÇÃO E RECADO PARA O PÚBLICO

ReiCasca: “São duas coisas que me motivam: primeiro, a necessidade de poder gerar renda, porque o que eu tenho é muito complicado, por exemplo, eu não consigo dormir 2, 3 horas seguidas, eu sempre acordo com falta de ar. A gente precisa de dinheiro pra pagar as contas, meu pai tem 70 anos, minha mãe quase 70 também, minha vó 90, e minha única fonte de renda é a stream.

Também o fato de eu poder abrir a stream na hora que eu quiser, já que em um trabalho normal, com um horário certo de entrada e saída, ia ser muito difícil para mim, por causa desse meu sono desregulado. Eu sou muito agradecido por tudo que aconteceu na stream, ela começou do nada e aos poucos o pessoal veio chegando, e eu queria agradecer o pessoal que têm assistido, têm dado aquela força, aquele apoio. E hoje já é complicado, eu não consigo ficar muito tempo sem fazer stream. Basicamente do dia 5 de dezembro até 10 de junho foram quase 10 horas de stream por dia em média”, finaliza ReiCasca.

ReiCasca faz streams na Twitch, e você pode acompanhar o trabalho dele através de seu canal na plataforma.

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