LoL: “Um passo para trás, para dar dois para frente”, diz Flare sobre jogar o CBLOL Academy

Considerado uma das maiores promessas do cenário brasileiro, Luiz Lobo, o Flare, conversou com o Baserush em uma entrevista exclusiva. O atirador da RED Academy abordou toda a sua carreira até aqui, as expectativas para o campeonato que se segue e algumas curiosidades sobre si mesmo.

Foto/Reprodução Havan Liberty

Fruto das filas ranqueadas, Flare se destacou cedo pela quantidade de pontos que atingiu no Desafiante, e também pelo desempenho que demonstrava quando jogava contra jogadores de alto calibre. Por conta disso, se lançou ao competitivo e logo encontrou uma casa: a Havan Liberty. Inicialmente no Academy, Flare conta que “diariamente treinavam contra a equipe principal da organização e que isso lhe dava mais ânimo de evoluir”. Entretanto, a primeira frustração chegou à galope. “Nessa época aí, o time começou a dar disband. Todo mundo foi subindo e eu fui ficando. Primeiro o Gyeong, depois o Kalesi, e por fim, o Kennedys. Ficou só eu e o woofi. A gente não sabia o que fazer, pois a gente treinava com os caras e ganhava deles. Ficamos muito desanimados com isso”, revela o atirador que ainda diz que “tudo isso aconteceu quando faltavam poucas semanas para o qualify”. O torneio em questão garantia que os times vencedores disputassem por uma vaga no antigo Circuito Desafiante que dava acesso ao CBLOL.

OS PRIMEIROS PASSOS

Com as chegadas de Zirigui, Thunder e Hidan, o time estava pronto para a disputa do campeonato. “A gente ficou muito amigo, geral na mesma pegada. Muito por conta do Zirigui. Ele foi um cara muito importante nessa época do Academy”, comenta Flare sobre a importância do suporte no elenco. Para o atirador, “Zirigui foi o principal pilar para manter os quatro na mesma página”.

Muitas equipes buscam mesclar jovens talentos e jogadores mais experientes para que o desenvolvimento das promessas seja mais fluído. No caso da Havan Liberty, essa mistura acarretou na vitória do qualify que garantiu uma chance de disputar uma vaga no Circuito Desafiante. Venceram a RED Academy, e em seguida, acabaram derrotados pela INTZ Academy. “A gente ficou bem feliz com o nosso resultado, porque tipo nem a gente botava tanta fé assim. Éramos muito novatos e acabamos perdendo pra INTZ. Não tínhamos staff, era nós por nós”, cita o atirador sobre desempenho da Havan Academy.

Na temporada seguinte, Flare subiu um novo degrau na sua carreira. Integrado ao time titular do Circuito Desafiante, ele passou a revezar na posição com Sarkis, seu companheiro de equipe na época. “Eu comeicei a revezar com o Sarkis e esse tempo com o tockers no time foi muito bom para mim. Ele me ajudou muito a melhorar como jogador”, conta Flare sobre a sua experiência com um dos jogadores mais vitoriosos do cenário. O atirador ainda conta que “nesse split deu muita merda na staff. Acabou que ele (tockers) já estava meio que se encaminhando para ser treinador.”

“O tockers era o cabeça do time, eu ficava aprendendo e revezando com o Sarkis. Chegamos nas semifinais e fomos stompados pela Keyd”, comenta Flare que ainda conta sobre o nervosismo que afetou diretamente no seu desempenho “Era meu primeiro campeonato e já foi presencial. Foi uma apresentação bem ruim pela minha parte.”

PERÍODO DE PROVAÇÃO

Após ganhar experiência revezando com Sarkis, para o próximo split a Havan Liberty confiou em Flare para a titularidade da posição. “Foi bem suave essa transição. O Sarkis me ajudou bastante em conceito de lane”, comenta o jogador sobre ter tido alguma pressão em ser titular pela primeira vez. Flare ainda comenta que a “chegada do esA tornou tudo ainda mais tranquilo”, e os “conhecimentos prévios do suporte como atirador fizeram com que a dupla encaixasse de forma rápida”.

Antes do início do campeonato, a Havan Liberty apostou em um bootcamp na Europa com os seus jogadores. Sobre a experiência em outro servidor, Flare conta que “lá o dedo não é nada e apenas um adicional”. “Os caras são muito espertos, até o jogador mais aleatório da fila entende muito do jogo”, completa. Acerca dos jogadores profissionais que enfrentou, Flare destaca um em especial. “O cara mais difícil que eu enfrentei foi o Patrik, da EXCEL, eu não conhecia ele antes. Depois que joguei contra, eu passei a acompanhá-lo”.

Grandes expectativas, geram também frustrações enormes. Vindo como a favorita para o Circuito Desafiante após treinamento intensivo na Europa, a Havan Liberty decepcionou. “A gente voltou com muito hype. Mas quando chegamos no Brasil, tudo desandou”, conta o atirador sobre o desempenho abaixo que a equipe demonstrou no campeonato.

“A gente deu uma estagnada. Na Europa, todo mundo estava na mesma página e quando voltamos pro Brasil, a gente deu uma relaxada. Teve a saída do tockers, a chegada da pandemia e problemas na staff. Acabou que a gente não evoluia e ficou um time ruim”, diz o atirador que ainda completa dizendo sobre o seu próprio desempenho “individualmente eu sinto que melhorei bastante, o problema foi o conjunto do time ter ficado tão travado.”

COMEÇO AVASSALADOR E MENTAL BOOM

Flare teve um começo impecável na segunda etapa de 2019 como titular. Para muitos, era considerado a mais nova joia da posição a ser lapidada. A comunidade brasileira, na maioria das vezes, abraça jovens talentos e cria expectativas enormes em cima dessa pessoa. Esse peso é algo que muitos jogadores não conseguem carregar.

“Cara isso (pressão da comunidade) não me interferiu em nada. Eu acho que fiquei bem mais confiante. Por exemplo, nesse split agora na RED eu sinto um pouco mais de pressão, pelo fato das pessoas estarem me hypando muito. No primeiro jogo mesmo, eu fiquei muito nervoso”, conta Flare.

Logo na etapa seguinte, por conta de comentários de terceiros com grande influência, uma enorme enxurrada de críticas chegaram. A fase não era boa, e sendo um jovem, a cabeça também não associa tudo isso com facilidade. Para o atirador, essa falta de psicológico lhe custou a temporada por inteiro. “Cara isso (do Baiano) especificamente, não foi o principal motivo. Foram um monte de coisas que começaram a se acumular e de repente, explodiu”, confessA. Flare ainda destaca que “não se arrepende de isso ter acontecido”. Para ele, o acontecimento e todo o tempo sem competir serviram como um “aprendizado como pessoa.”

“Eu cheguei no Raven e falei que não ia dar mais pra jogar. Usei esse tempo parado pra muita reflexão, o Beenie era é um cara muito bom fora do jogo. Muito esforçado. Aprendi bastante com ele e estou levando isso pra vida agora”, diz Flare. O atirador ainda comenta que “a pausa foi um total upgrade”, ajudando na sua evolução mental e também como jogador.

REFORJADO

Mais cascudo e pronto para travar novas batalhas, Flare foi especulado em grandes organizações na janela de transferências. Uma das propostas era para que o jovem atirador atuasse na LLA, liga latino-americana de League of Legends. Sobre isso, o atirador conta que para ele “não era a hora de sair do Brasil”. “Eu sinto que tenho muita coisa pra evoluir ainda e ir pra lá seria um tiro muito no escuro. Pelas coisas que estão acontecendo aqui na RED, eu sinto que valeu muito a pena ter vindo pra cá”, completa.

Flare é um dos destaques da RED Canids Academy. Reprodução: RED Canids

Acerca se esperava uma ida para a RED, Flare conta que “esperava o contato porque estava conversando com Woodboy (atual suporte da RED Academy) e queríamos jogar juntos”. Mesclando jovens promessas com jogadores um pouco mais rodados, a equipe da RED se mostra impecável no torneio até então. Sendo a única equipe invicta da competição, Flare destaca a “união do grupo” como receita para esse sucesso imediato.

Para o atirador, “a confiança e o passado da dupla” também o ajudaram a tirar a ideia de ir jogar fora do país. “Eu confio bastante em todo mundo aqui, é um time bem unido e com um único objetivo de ser campeão”.

“Meu maior foco é ganhar esse Academy e tentar entrar pro CBLOL na próxima etapa”, diz o jogador que ainda deseja se provar como um dos melhores da posição no Brasil. “Para mim, estar aqui (na RED Academy) é uma nova oportunidade. Não considero jogar o Academy uma queda na carreira. Um passo para trás, para dar dois pra frente. É o lema”, finaliza.